Entre desfiles de tirar o fôlego e a presença de Lady Gaga, a sequência revela que o verdadeiro luxo ainda é a complexidade das relações humanas
por Helaine Oliveira
Vinte anos após Andy Sachs atravessar as ruas de Nova York sob a tirania de saltos agulha e cafés escaldantes, o cinema nos devolve um universo que, embora esteticamente familiar, parece ter girado em um eixo completamente diferente. Assistir à cabine de imprensa de O Diabo Veste Prada 2 na manhã desta terça-feira, 28, foi muito mais do que um compromisso profissional; foi um exercício de espelhamento. Há duas décadas, eu era como a Andy de Anne Hathaway: uma jornalista recém-formada, deslumbrada pelo glamour das redações e pronta para provar meu valor. Hoje, 20 anos depois, me vejo novamente na pele dela, mas agora enfrentando o desafio de permanecer relevante em um mundo onde a velocidade atropela a verdade.
O filme não economiza no visual. A moda continua sendo o cenário vibrante, com desfiles deslumbrantes e momentos de tirar o fôlego, como a participação icônica de Lady Gaga em uma das passarelas da Runway. No entanto, quem espera que o longa seja apenas sobre figurinos terá uma surpresa. Assim como no clássico original, a moda é o pano de fundo para questões pessoais intensas e conflitos humanos que ganharam camadas muito mais densas com o passar do tempo.

Miranda Priestly (Meryl Streep) surge como uma figura monumental em um império que desmorona. Ela ainda é a personificação da elegância, mas o respeito que antes beirava o pavor deu lugar a uma reverência distante. Em um detalhe que resume a obra, vemos Miranda guardando o próprio casaco (um gesto que soa como um grito silencioso de que os tempos de servidão absoluta ficaram no passado). Ela agora lida com dramas pessoais profundos e a sensação de se tornar coadjuvante em um sistema que não mais se curva ao seu comando absoluto.
A trama ganha um novo fôlego com o retorno de Emily (Emily Blunt), agora uma executiva de alto escalão em uma marca de luxo. A inversão de poder coloca Emily como o maior obstáculo financeiro no caminho de sua antiga mentora. O embate não é apenas comercial; é o retrato de uma indústria onde a arte de contar boas histórias tem sido deixada de lado em detrimento do conteúdo rápido, dos memes e da desinformação.
O filme utiliza as novas tecnologias, as redes sociais e a inteligência artificial para nos fazer refletir: para onde foi o jornalismo que valoriza o rigor? Andy, em sua versão madura, personifica essa angústia de quem viu o “glamour” ser substituído pelo algoritmo. O Diabo Veste Prada 2 prova que, embora as ferramentas mudem, o valor de uma verdade bem dita e o peso de um conflito humano real permanecem insubstituíveis. É um filme para quem ama moda, mas, acima de tudo, para quem ama a comunicação feita com alma.
Serviço:
O filme estreia oficialmente nos cinemas de todo o Brasil no dia 30 de abril. Não perca a oportunidade de conferir esse novo capítulo nas telonas; é uma experiência obrigatória. Vão assistir, vale cada minuto de reflexão!
Ficha Técnica: O Diabo Veste Prada 2
- Título Original: The Devil Wears Prada 2
- Direção: David Frankel
- Roteiro: Aline Brosh McKenna
- Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci
- Participação Especial: Lady Gaga
- Gênero: Drama / Comédia
- Duração: 115 minutos
- Ano de Lançamento: 2026
- Distribuição: Disney / 20th Century Studios
Confira o trailer:
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