Copa do Mundo 2026: cesta do torcedor fica 32,5% mais cara desde o Mundial do Catar, aponta levantamento da Rico

Chocolate, bebidas e produtos consumidos durante os jogos acumulam alta acima da inflação geral e pressionam orçamento das famílias brasileiras

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, deve pesar mais no bolso do torcedor brasileiro. Levantamento da Rico aponta que a chamada “cesta da Copa” acumulou alta de 32,5% entre o fechamento de 2022 e o fim de 2025, percentual acima da inflação oficial do período, medida pelo IPCA, que ficou em 21%.

O estudo, baseado em dados da NielsenIQ, analisou o comportamento de preços de itens tradicionalmente consumidos durante os jogos, como cerveja, refrigerante, carnes, salgadinhos, chocolates e bebidas alcoólicas. Segundo a pesquisa, o consumidor já sente o impacto ao montar a tradicional mesa para acompanhar as partidas em casa.

Entre os produtos analisados, o chocolate liderou as altas. Barras e bombons acumularam inflação de 66,6% no período, mais de três vezes acima do IPCA geral. O movimento foi impulsionado principalmente pela crise global do cacau, após problemas climáticos e perdas de safra em países produtores como Costa do Marfim e Gana.

O sorvete aparece na sequência, com alta acumulada de 44,9%, seguido por outras bebidas alcoólicas, que avançaram 36,1%. Suco de frutas e refrigerantes também registraram pressão relevante, com aumentos de 35,7% e 35,5%, respectivamente.

Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, os itens ligados ao consumo coletivo e aos momentos de lazer durante a Copa foram justamente os que mais sofreram pressão inflacionária nos últimos anos.

A cerveja, tradicional protagonista dos encontros durante os jogos, acumulou alta de 27,5% entre 2022 e 2025, também acima da inflação geral. O estudo aponta que o avanço dos preços esteve relacionado ao aumento de custos de insumos, embalagens e matérias-primas, além dos impactos climáticos sobre cadeias agrícolas.

Na contramão da maioria dos itens da cesta, as carnes tiveram comportamento mais moderado. O segmento acumulou alta de 12,9% no período, abaixo do IPCA. Em 2023, o setor registrou forte correção negativa após os aumentos observados em anos anteriores, ajudando a aliviar parcialmente o orçamento do consumidor.

O levantamento também mostra que, apesar da melhora da renda média e da queda do desemprego entre 2022 e 2025, o orçamento das famílias segue pressionado pelo aumento do endividamento. Segundo dados da 4intelligence citados pela Rico, o comprometimento da renda familiar com dívidas chegou a 29,3% em janeiro de 2026, o maior patamar desde 2008.

A pesquisa aponta ainda mudanças nos hábitos de consumo. Mesmo com preços mais elevados, o consumo relacionado à Copa tende a continuar forte, mas com adaptações. A tendência observada é a substituição por marcas mais baratas, embalagens menores e redução da quantidade de itens comprados.

Outro movimento identificado pela NielsenIQ envolve mudanças geracionais. O menor consumo de álcool entre integrantes da Geração Z abre espaço para categorias como energéticos, bebidas sem álcool e sucos, que ganham relevância dentro da cesta de consumo durante grandes eventos esportivos.

Segundo o estudo, a cesta da Copa movimentou R$ 7,2 bilhões em receita durante o Mundial de 2022, registrando crescimento de 19,1% em valor no período analisado.

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