Corrida Unifor 2026 terá percursos para crianças e pessoas com deficiência

Corrida Unifor 2026 terá provas Kids e PCD em 5 de dezembro, com percursos adaptados para diferentes idades e participantes

Muito além da linha de chegada, uma prova de corrida pode representar oportunidade de desenvolvimento, socialização e conquista de autonomia para crianças típicas e atípicas, incluindo aquelas com deficiência ou neurodivergência. Coordenação, equilíbrio, consciência corporal, concentração, autoestima e independência estão entre os aspectos que podem ser estimulados pela prática esportiva quando a participação ocorre de forma segura e respeitando as características de cada criança.Esse será também um dos focos da Corrida Unifor 2026. No dia 5 de dezembro, o campus da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, terá programação dedicada às provas PCD e Kids, criando um ambiente lúdico, repleto de brincadeiras, voltado à participação de crianças e pessoas com deficiência.

A Corrida PCD terá início às 15h30, com percurso de aproximadamente 800 metros. Às 16h, começa a Corrida Kids, com distâncias entre 30 e 200 metros na pista de atletismo, definidas de acordo com a faixa etária.

Para o professor Ralciney Barbosa, chefe da Divisão de Atividades Desportivas (DAD) da Unifor, criar espaços para diferentes públicos faz parte da proposta da competição.

“A corrida pode ser o primeiro contato de muitas crianças com o esporte e queremos que essa experiência aconteça em um ambiente acolhedor, seguro e que respeite as particularidades de cada participante. Mais importante do que o resultado é permitir que elas estejam na pista, participem e percebam que aquele espaço também pertence a elas”, destaca.

Benefícios que ultrapassam a parte física

A prática esportiva na infância pode contribuir para o desenvolvimento de capacidades como força, coordenação motora, equilíbrio, resistência e mobilidade. Os impactos, no entanto, não ficam restritos ao aspecto físico.

Segundo a professora Érica Feitosa, do curso de Terapia Ocupacional do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Unifor, a participação em atividades esportivas também pode favorecer relações sociais e ampliar a autonomia.

“O esporte favorece interação social, pertencimento, cooperação, comunicação e respeito a regras e turnos. Também pode ampliar a autonomia, a autoconfiança e a participação da criança em diferentes contextos sociais”, explica.

Para crianças com deficiência, esses benefícios podem ganhar outras dimensões. Além de força, equilíbrio, coordenação, resistência e mobilidade, a prática pode contribuir para autoestima, sensação de competência, participação comunitária e oportunidades de lazer e socialização.

Uma prova também permite que a criança reconheça suas próprias possibilidades. Cumprir um percurso, compreender uma sequência de atividades, relacionar-se com outros participantes e chegar ao fim de uma experiência esportiva são situações que podem estimular independência e confiança.

“Quando oferecemos uma prova para crianças e pessoas com deficiência, não estamos apenas criando uma categoria dentro de um evento. Estamos incentivando o contato com o esporte, a convivência e a possibilidade de cada participante avançar dentro de suas próprias capacidades. A Corrida Unifor quer ser também esse espaço de descoberta e pertencimento”, afirma Ralciney Barbosa.

Inclusão não significa fazer tudo da mesma forma

Para crianças autistas, com TDAH ou outras formas de neurodivergência, a participação pode exigir adaptações. Segundo Érica Feitosa, as necessidades variam de criança para criança e podem envolver diferenças relacionadas à atenção, compreensão de regras, previsibilidade, interação social, autorregulação e processamento sensorial.

Nesse contexto, recursos relativamente simples podem tornar a experiência mais acessível.

“A atividade pode precisar de adaptações, como instruções mais objetivas, demonstração visual, antecipação da rotina, redução do tempo de espera e possibilidade de pausas”, orienta.

Barulho, concentração de pessoas, espera pela largada e movimentação intensa também podem funcionar como barreiras sensoriais para algumas crianças. Por isso, conhecer antecipadamente o ambiente e explicar como será a atividade pode ajudar.

“O ideal é identificar previamente quais estímulos funcionam como barreiras para aquela criança. Pode-se conhecer o local antecipadamente, mostrar a sequência da atividade, reduzir o tempo de espera, permanecer em uma área menos movimentada e utilizar recursos de regulação sensorial quando necessários. O objetivo não é obrigar a criança a tolerar todos os estímulos, mas oferecer condições para que consiga participar”, explica a professora.

Segurança deve orientar a participação

Antes de incluir uma criança em uma prova, é necessário considerar fatores como condições de saúde, idade, desenvolvimento motor, resistência física e experiências anteriores.

No caso de crianças com deficiência, Érica destaca que também devem ser observados aspectos como mobilidade, equilíbrio, comunicação, compreensão das regras, necessidade de Tecnologia Assistiva, acessibilidade do percurso e possíveis barreiras ambientais ou sensoriais.

Durante a experiência, pais e responsáveis devem acompanhar a resposta da própria criança.

“É importante observar se ela demonstra interesse e prazer, consegue participar com segurança ou apresenta sinais de cansaço, dor, ansiedade ou sobrecarga sensorial. Uma experiência inclusiva não significa necessariamente fazer tudo exatamente da mesma maneira que as demais crianças, mas garantir oportunidades equivalentes de participação, com os apoios e adaptações necessários”, ressalta.

Um fim de semana de corrida

Depois da programação voltada às categorias Kids e PCD no sábado, a 32ª Corrida Unifor continua no domingo, 6 de dezembro, com as provas adultas de 5km e 10km.

As inscrições já podem ser feitas no site www.unifor.br/corrida. A adesão para a Corrida PCD é gratuita.Pessoas com 60 anos ou mais e atletas com deficiência inscritos nas provas de 5 km e 10 km terão desconto de 50% sobre o valor destinado ao público geral, conforme as condições estabelecidas no regulamento.

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